O CMS é um serviço de utilidade pública que tem a proposta de permitir ao público em geral e também aos profissionais da saúde, identificar clínicas e academias que contam com pelo menos um profissional pós-graduado pelo IBEP / CECAFI - FMUSP, em condições de oferecer um bom atendimento em exercícios resistidos terapêuticos ou programas de musculação adaptada para doenças ou debilidade.
Importância da Reeducação Postural Global (RPG) na Doença de Parkinson
A doença de Parkinson é uma afecção do sistema nervoso central que acomete principalmente o sistema motor. É uma das condições neurológicas mais freqüentes, principalmente na população idosa. Apesar dos avanços da medicina, sua causa permanece desconhecida e a evolução dos sintomas é usualmente lenta, mas é variável em cada caso. Os sinais e sintomas motores mais comuns são: tremor de repouso, rigidez muscular, acinesia (bradicinesia), e/ou alterações dos reflexos posturais, postura flexionada para frente e bloqueio motor. Entretanto, manifestações não motoras também podem estar associadas, tais como: comprometimento da memória, depressão, alterações do sono, distúrbios do sistema nervoso autônomo, fadiga, ansiedade. As alterações do reflexo postural vão ocasionar uma instabilidade postural, comprometendo assim, as atividades de vida diárias (AVD`s). Quando associados ao bloqueio motor, que é uma instabilidade transitória súbita onde vai impedir o início do movimento ou o bloqueio durante o mesmo, aumenta consideravelmente o risco de quedas. A postura dos portadores de Parkinson vai ser caracterizada pelo aumento do tônus muscular predominante nos músculos flexores do tronco e membros ao qual confere uma postura em flexão e em bloco, ou seja, cabeça e tronco inclinados para frente, cifose torácica, flexão de cotovelos, quadris e joelhos. Com a evolução do quadro da doença de Parkinson, vai ocorrer diminuição da flexibilidade, força muscular, amplitude dos movimentos das articulações, condicionamento cardiorespiratório, entre outros. Estas alterações vão dificultar o controle postural, equilíbrio, marcha e a funcionalidade favorecendo a dependência do parkinsoniano. Os movimentos são cada vez mais lentos, rígidos, e por isso, a manutenção do equilíbrio corporal é mais difícil. Essas alterações corporais geram compensações e podem causar dores e desconfortos. Uma das técnicas de tratamento utilizadas para correção destas compensações, desequilíbrios musculares, diminuição da rigidez e melhora da dor é a Reeducação Postural Global (RPG). A RPG é um método de tratamento fisioterápico, que tem uma abordagem corretivo-preventiva. Tem como objetivo suprir as necessidades individuais, já que, cada organismo responde de forma diferente às alterações posturais sofridas no decorrer da evolução da doença de Parkinson e nas atividades do dia-a-dia. Durante o tratamento da RPG são desenvolvidos trabalhos de equilíbrio, consciência corporal, coordenação motora, dissociação de tronco, respiração, propiocepção, relaxamento, exercícios para melhora da rigidez e orientações posturais. São utilizadas posturas mantidas que alongam as musculaturas retraídas e fortalecem os músculos fracos, associando sempre a um trabalho respiratório, respeitando os limites de cada paciente. A sessão da RPG é individual e tem duração de 60 minutos, onde serão relizados os trabalhos citados acima e serão utilizados materiais como: bolas de diversos tamanhos, rolos, bastões, rampa, entre outros. Consiste em adaptar o parkinsoniano, respeitando sempre sua limitação à progressão da doença de uma maneira preventiva e quando necessário assisti-lo nas possíveis alterações que possa acometê-lo. A RPG no parkinsoniano vai promover maior funcionalidade e melhora a qualidade de vida, importante para minimizar e retardar o processo de evolução da doença.
Sem medo de andar
As quedas que assustam os idosos podem ser evitadas com novos hábitos.
Francine Lima da REVISTA ÉPOCA
EQUILÍBRIO Ema Javurek faz alongamento no Parque da Água Branca, em São Paulo. Ela quer evitar novos tropeços
Diz a sabedoria popular que quem cai deve levantar rápido, sacudir a poeira e dar a volta por cima. A lição pode servir bem aos adultos jovens, mas na terceira idade erguer-se do chão pode não ser uma tarefa tão simples. No mundo todo, 30% das pessoas com mais de 65 anos levam pelo menos um tombo por ano, e 5% dessas quedas resultam em uma fratura. O fenômeno é preocupante, porque os idosos se machucam muito mais que os adultos mais jovens quando caem. As quedas são a quinta principal causa de morte entre os idosos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, após os 80 anos, 40% dos idosos vão ao chão ao menos uma vez ao ano. Quando o idoso tem medo de cair de novo, tende a não sair de casa e diminui a atividade física – o que aumenta o risco de cair de novo, num ciclo vicioso. E isso não é uma característica natural da idade, ao contrário do que diz o senso comum. As causas de tantos tombos estão tanto no ambiente quanto no corpo e no estilo de vida dos idosos. Todas elas podem ser evitadas. Segundo profissionais de saúde preocupados com o envelhecimento da população (o número de brasileiros com mais de 80 anos cresceu quase 70% em dez anos), é possível preparar-se para enfrentar as armadilhas do tempo e evitar as quedas mesmo depois dos 100 anos.
Desde março deste ano, o Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) tem um ambulatório de prevenção de quedas. O trabalho, que consiste em palestras e atividades semanais e dura 12 semanas, aborda quatro fontes de perigo: o ambiente inadequado (principalmente a residência), os comportamentos de risco, a baixa capacidade física e as doenças que comprometem os sentidos e outras funções cognitivas.
Sobre o ambiente, os inscritos no programa aprendem que sua casa pode estar cheia de armadilhas que devem ser removidas, como tapetes escorregadios e móveis pequenos em áreas de circulação. Um manual com uma série de dicas é dado aos idosos para ajudá-los nessas mudanças. Os participantes dizem gostar das recomendações – mas nem sempre seguem todas.
Na casa de Hermenegildo Garcia Filho, de 82 anos, há um poodle. Como Garcia já tropeçou na guia que usa para passear com o cão, foi orientado a tomar mais cuidado durante os passeios e agora leva uma bengala nas caminhadas. “Estava andando meio torto”, diz. Outro perigo que ele abriga em casa – e que ainda não resolveu – é uma escada em caracol e sem corrimão que leva ao 2º andar, onde mora a filha. Segundo o geriatra Sérgio Paschoal, que coordena o trabalho no HC, degraus podem ser perigosos para os idosos, especialmente na descida. Com a perda da visão de profundidade, é comum o idoso não perceber um degrau e pisar em falso. Por isso se recomenda sinalizar todos os degraus com faixas de cor diferente na borda.
A sonolência, a depressão e a ansiedade também costumam levar a quedas. Por isso, diz Paschoal, quem toma medicamentos como calmantes ou tem doenças que alteram o nível de atenção precisa ter cuidados extras, principalmente quando sai de casa.
Em matéria de comportamento de risco, alguns idosos são recordistas. Quem não conhece alguma senhora que despencou na cozinha ao tentar alcançar um utensílio na parte alta do armário escalando uma banqueta? Segundo Paschoal, essa teimosia é cultural, tipicamente brasileira, e vem de uma noção de que ser velho é ser decadente. Com isso, em vez de adaptar seu cotidiano às novas limitações, os idosos continuam agindo como se ainda fossem jovens. A fisioterapeuta Ingrid Mazeto, da ONG Olhe (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento), observa o mesmo: “Quando ele não se reconhece como idoso, tende a não tomar precauções”. Além de banquetas e escadinhas portáteis, os chinelos são grandes inimigos da vida doméstica. O ideal é usar, mesmo dentro de casa, um calçado fechado ou uma sandália bem firme no pé. “O chinelo altera a marcha e o equilíbrio, porque faz andar arrastando os pés”, diz Paschoal.
Andar corretamente é crucial para não cair. Mas, para aqueles idosos que já perderam parte importante da mobilidade dos membros inferiores, cada passo é um desafio. Além do calçado, o sedentarismo contribui muito para que o idoso perca a capacidade de se locomover com segurança. “Depois dos 80 anos, os joelhos vão dobrando e o tronco vai caindo para a frente. Eles vão perdendo o hábito de balançar os braços ao caminhar, andam arrastando os pés. Ficam como robôs e com isso perdem o equilíbrio”, diz Paschoal.
MOBILIDADE Maria de Lourdes Ribeiro (de rosa) faz exercício com o marido a quilômetros de casa. Parques com atividades para idosos ajudam a fazer uma cidade mais amiga
A hora de sentar e de levantar também passa a ser preocupante. Sem força nas pernas, fica mais difícil se equilibrar até para usar o banheiro. Não por acaso, a escapada noturna ao banheiro é uma das situações campeãs em número de quedas. A perda da capacidade funcional (dificuldade em atividades básicas como se vestir ou caminhar) aumenta o risco de queda em 14%, segundo cálculos do HC. Por isso, os exercícios de recuperação dos movimentos articulares, de fortalecimento muscular e de equilíbrio são indicados para prevenção de quedas.
Ema Javurek tem 79 anos e coleciona histórias de “tombos espetaculares”, dentro e fora de casa. Já quebrou o nariz duas vezes e fez até uma plástica. Para se prevenir de novos acidentes, ela frequenta diariamente o Parque da Água Branca, na Região Oeste de São Paulo, onde se alonga e treina marcha. Além de aulas coletivas como o Lian Gong, o parque conta com a Praça do Idoso, um espaço com equipamentos de madeira ao ar livre voltado para esse tipo de exercício. Ema reconhece que precisa andar com mais atenção. “As nossas calçadas não são as melhores, mas sei que não levantamos os pés o suficiente. Não sei se a gente desaprende ou se nunca aprendeu. É o andar da preguiça”, diz.
A Praça do Idoso foi instalada há pouco mais de um ano e promete ser a primeira de várias no Estado de São Paulo. Desde que descobriu os equipamentos, há cerca de um mês, Maria de Lourdes Ribeiro de Souza sai do centro da cidade e vai até lá de ônibus com o marido. Foi o estímulo que encontrou para largar a vida sedentária.
Só haverá segurança contra quedas quando o espaço urbano for adequado às necessidades do idoso
A existência de mais parques e praças com atividades físicas e sociais específicas para as necessidades dos idosos faz parte do conceito de Cidade Amiga do Idoso, estabelecido pela OMS. Só haverá segurança verdadeira contra quedas quando essa população que está envelhecendo contar com um espaço urbano e com um conjunto completo de serviços adequados a suas necessidades. Em uma pesquisa feita em Copacabana, no Rio de Janeiro, bairro com a maior concentração de idosos do país, os moradores se queixaram de transporte público agressivo (motoristas que não têm paciência para esperar que subam cuidadosamente no ônibus), dificuldade de atravessar a rua, calçadas estreitas e cheias de obstáculos (buracos, pedras, árvores, postes e camelôs), ladeiras e escadarias. Como diz Laura Machado, que coordenou a pesquisa, “a rua está cheia de perigos”.
Exercício na gravidez reduz risco de sobrepeso no bebê
GABRIELA CUPANI da Folha de S.Paulo
Praticar exercícios durante a gravidez diminui o risco de dar à luz um bebê com excesso de peso ao nascer. A conclusão é de um estudo norueguês, feito pelo Instituto de Saúde Pública da Noruega, em Oslo.
Para chegarem ao resultado, os pesquisadores avaliaram dados de 36.869 mulheres que tiveram gestações a termo.
Os autores também ajustaram informações que poderiam interferir no excesso de peso, como idade materna, número de filhos, hipertensão, diabetes e pré-eclâmpsia, entre outros.
As grávidas responderam a dois questionários sobre hábitos de atividade física entre a 17ª e a 30ª semana de gravidez.
A análise dos dados revelou que quem se exercitava regularmente -pelo menos três vezes por semana em atividades como natação, caminhada, bicicleta e dança- teve um risco entre 23% e 28% menor de gerar um bebê com sobrepeso.
O estudo também constatou que a atividade física regular antes da gravidez não afetou essa probabilidade.
Segundo os autores, não havia estudos com dados consistentes em relação ao tema.
"O trabalho traz amparo científico ao que já se observava na prática", diz o ginecologista e obstetra Alberto D'Auria, diretor da maternidade Santa Joana, em São Paulo.
"O resultado faz sentido porque grande parte dos casos de macrossomia [crescimento excessivo do feto] são relacionados ao diabetes gestacional", comenta o educador físico Marlos Rodrigues Domingues, da Universidade Federal de Pelotas (RS). Ele é um dos autores de um estudo sobre atividade física na gestação, que avaliou mais de 4.000 mulheres.
Excesso de glicose
Mesmo sem desenvolver o diabetes, muitas grávidas apresentam um estado de resistência à insulina. Isso leva ao aumento do açúcar em circulação no sangue. Com a alta da glicemia, o bebê acaba sendo alimentado excessivamente. Sabe-se que os exercícios ajudam a prevenir esse quadro.
"O excesso de açúcar também leva o bebê a produzir mais insulina, que é um hormônio que faz crescer", explica o obstetra Marcos Tadeu Garcia, do Hospital e Maternidade São Luiz e diretor da clínica de ginecologia e obstetrícia do Hospital Ipiranga, em São Paulo.
A macrossomia fetal é definida quando o bebê pesa mais de 4 kg ao nascer. O excesso de peso traz riscos à saúde da mãe e do bebê, como lacerações no períneo, hemorragias pós-parto, lesões no ombro do bebê, baixos índice no testes de Apgar (que mede a vitalidade do bebê ao nascer) e maior chance de obesidade no futuro.
Atualmente, os exercícios na gravidez costumam ser encorajados a gestantes que não tenham nenhuma contraindicação. De modo geral, para mulheres sedentárias os médicos recomendam esperar o término do primeiro trimestre.
As grávidas que já praticavam esportes não precisam esperar três meses e podem apenas fazer ajustes no ritmo.
"A regra é: a atividade deve ser feita sem desconforto e isso vale principalmente para o aspecto da intensidade", diz Domingues. "A mulher deve fazer atividades em que se sinta bem, sem esforço excessivo."
"Ela não deve ficar ofegante, precisa evitar o hiperaquecimento e controlar a hidratação", avisa Garcia.
"Recomendo exercícios que não tenham impacto sobre as articulações e que não exijam muito do coração, como a hidroginástica", diz D'Auria. "Não recomendo a corrida pois essa atividade tem impacto sobre útero e bexiga."
Alterações Fonoaudiológicas Decorrentes da Doença de Parkinson e Recursos Terapêuticos
A doença de Parkinson é um distúrbio degenerativo, crônico e progressivo e lento, do sistema nervoso central. Acomete diversas funções corporais, dificultando, principalmente o controle dos movimentos corporais. Os sintomas característicos são: tremor, rigidez muscular, bradicinesia e distúrbios posturais. As alterações fonoaudiológicas estão presentes na fala, voz, deglutição, sucção, mastigação, fácie, fraqueza e fadiga muscular.
FÁCIE: aparência tipo “máscara”, com ausência de expressão devido a rigidez da musculatura facial.
FALA: às vezes com compreensão prejudicada devido alteração da velocidade, aus6encia de entonação, incoordenação dos movimentos, levando a uma “fala embolada”. Pode apresentar também dificuldade em iniciar os movimentos orais, bloqueios, hesitações e pausas durante a fala, o que chamamos de pseudogagueira.
VOZ: devido a presença de alterações da função respiratória, rigidez e redução dos movimentos de pregas vocais a voz se pode apresentar soprosa, rouca e com intensidade reduzida. Pode apresentar também voz anasalada, trêmula, sem melodia e mais grave.
MASTIGAÇÃO E DEGLUTIÇÃO: geralmente em estágios mais avançados, podem apresentar salivação excessiva, dificuldade em abrir a mandíbula, tremor de lábios, movimento atípico e trêmulo de língua, mastigação lenta e dificuldade em iniciar a deglutição. Pesquisas demonstram também alterações como: escape de alimento por comissura labial, presença de tosse e/ou engasgos com saliva e com alimentos, maior dificuldade com líquidos finos, cansaço durante a refeição, alimento parado na garganta, ingestão de menor quantidade por refeição, perda de peso, rigidez mandibular, deficiência moderada na organização oral do bolo, ejeção oral por gravidade, deglutições múltiplas, trânsito oral lento e tempo aumentado, dificuldade em movimentar o alimento da frente para a parte de trás da boca.
FONOAUDIOLOGIA Através de exercícios específicos, o principal objetivo da terapia fonoaudiológica é prevenir alterações futuras, mas uma vez que as alterações já estão instaladas a terapia terá como objetivo diminuir rigidez muscular, adequar força e mobilidade da musculatura, coordenar movimentos orais, melhorar mímica facial, adequar a voz, mastigação e deglutição.
DICAS • Mantenha a postura ereta durante a fala. • Procure falar alto. • Procure articular melhor as palavras. • Cuidado com a velocidade de fala. • Concentre-se e lembre-se de engolir sempre a saliva e os alimentos. • Depois de mastigar, procure engolir pelo menos duas vezes. • Beba bastante água • Dê pequenos goles e pequenas mordidas. • Faça revisões constantes das próteses dentárias.